Old Friends, Old Friends
Sat on their park bench
Like bookends.
A newspaper blow through the grass
Falls on the round toes on the high shoes
Of the Old Friends.
Old Friends
Winter companions,
The old men
Lost in their overcoats,
Waiting for the sun.
The sounds of the city,
Sifting through trees
Settle like dust
On the shoulders
Of the Old Friends.
Can you imagine us
Years from today,
Sharing a park bench quietly?
How terribly strange
To be seventy.
Old friends
Memory brushes the same years
Silently sharing the same fears
Time it was and what a time it was.
It was a time of innocence,
A time of confidences.
Long ago it must be,
I have a photograph,
Preserve your memories,
They're all that's left you.
(tradução lá no final)
O ser humano imagina, e a imaginação pode ser vista como uma espécie de elo que liga o passado ao futuro. Acontece que o futuro não é mais como antigamente*, e parcelas cada vez maiores da população chega a idades avançadas - e com boa memória, previsivelmente.
Cada um (seja indivíduo ou singularidade) vai construindo suas memórias no ambiente social que compartilha, nas famílias e nas aldeias que cresceram absurdamente desde que a luz elétrica se espalhou pelo planeta. Como resultado a construção de memórias vai percorrendo processos que, se não são exatamente inovadores, certamente inclui aspectos inéditos na história humana. Mais camadas, em ritmos cada vez mais acelerados, com assuntos cada vez mais abrangentes e potencialmente mais profundos.
Se imaginarmos essas camadas como estratos compartilhados de memória pelos acontecimentos (locais, regionais ou globais), poderemos ter uma visão de memórias compartilhadas de eventos. E em cada um de nós, levando em consideração ou não o livre arbítrio, nossas memórias estão repletas dos afetos que formaram a parte de nossa história singular, por todo o espectro consciente, sub consciente e inconsciente.
Os afetos e a história individual do aprendizado sobre eles são elementos fundamentais de nossa singularidade. Daí que os amigos de longa data ("old friends") são testemunhas e referências daquelas camadas que nos fazem ser quem somos, em qualidade, quantidade, profundidade e relevância das memórias compartilhadas.
Duas músicas marcaram minha adolescência no quesito "como serei eu ao ficar velho?": Beatles com When I'm sixty four que me colocava a imaginar minha vida aos 64 anos de idade, (também impulsionada pelo meu ano de nascimento 1964), e àquela Old friends cantada por Simon and Garfunkel. Em algum momento me dei conta que era preciso definir a diferença entre colega e amigo; e mais ainda: identificar aquelas pessoas que considerava aqui dentro de mim como amigo.
Reconheço que muita coisa mudou daqueles anos 1970/80 pra cá - inclusive eu. Mas me reconheço e me encontro comigo mesmo como partícipe e cocriador desse processo todo, e procuro então os meus velhos amigos - que também mudaram. Ou morreram...
Agora, às raias do tal sixty four, procuro e revejo na minha história quem são meus velhos amigos. E os meus processos de construção disso tudo, incluindo a descontrução de boa parte de alguns desses vínculos. Histórias quase sempre interessantes e também doídas, junto com aqueles que ficaram pelo caminho (Marília, Cláudio, Eduardo, Cunha, Matheus, Osvaldo... saudades e mistérios). Outros foram levados pelos abjetos bolsonaros, trumps & venturas da vida, ó horror.
Portanto penso que se aproxima a hora de uma revisão afetiva e conceitual importante, cujo resultado talvez contenha o renovado processo auto reflexivo sobre para que estamos nesse mundo? E independente das possíveis respostas, a amizade e o processo dos velhos amigos são não só inescapáveis, como fundamentais no desenrolar da existência de cada um de nós.
Para uma conclusão (mesmo que temporária), resta aquele aspecto que é bom sempre deixarmos reservado, que é a possibilidade de eu considerar alguém um velho amigo e não ser por ele considerado da mesma forma - e vice versa, claro.
Aos jovens então ofereço com carinho alguns conselhos contidos em Old friends: construa e preserve suas memórias desde sempre: elas serão o que vão restar a vocês. Aos demais, aproveito o clima dos Beatles e pergunto: temos frequentado algum banco de praça pra partilhar nossas lembranças com nossos velhos amigos?
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Velhos amigos
Velhos Amigos
Sentados em seu banco no parque
Como suportes de livros
Um jornal voando na grama
Cai nos cantos redondos dos sapatos
Dos velhos amigos
Velhos amigos
Companheiros de inverno
Os velhos
Perdidos em seus sobretudos
Esperando o sol
Os sons da cidade
Peneirado pelas árvores
Assentando como poeira
Nos ombros
Dos velhos amigos
Você pode nos imaginar
Anos à frente
Compartilhando um banco de jardim em silêncio?
Como é terrivelmente estranho
Ter setenta anos
Velhos amigos
A memória recupera os mesmos anos
compartilhando silenciosamente os mesmos medos
Tempo que se foi, e que tempo que se foi
um tempo de inocência
Um tempo de confidências
E por muito que esteja longe
Eu tenho uma fotografia
Preserve suas memórias
Eles são tudo o que resta pra você


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