Era das IA, fake news e pós lorota... há algum tempo já aparece a tal "pós-verdade" nos textos acadêmicos, mas também penso ser totalmente perceptível para qualquer olhadela cartesiana que a confiança anda abalada...
O planeta Terra já foi plano como pizza, a vacina vem de não sei onde e contém não sei o que, mas, segundo alguns, melhor se afastar. E aquele episódio do seguro das torres gêmeas ter sido renovado no dia 10 de setembro de 2001 não ajuda mesmo a construir confiança nas narrativas, né não?
Depois, tem os cartórios (invensão de quem, hein?) onde se vai pra conferir a verdade sobre o que está escrito, sendo que alguém assina o selo que eu devo confiar agora? Quem chancela? O chanceler? Ou seja, a confiança que já foi o fio do bigode (machismo da porra), passou por acreditação formal na ISO 9000, palavra de honra e ainda "pergunta lá pra você ver!" agora vai mesmo se restringindo em círculos (mal) concêntricos.
Digo mal porque há assimetria nesse processo. E assimetria pode ser exatamente o que regula as figurações sociais e as dinâmicas de seus processos principais.
A transição dos valores de confiança do núcleo mais imediato (família, amigos) para os mais amplos (coletividades, nações, empresas) passa por considerações de múltiplas disciplinas. Ética e moral são basares. Não cabe aqui o caminho, mas o atalho, talvez...
Pagar por informações é usual em nossa sociedade capitalista. Definir quais informações pode ser comercializadas e, principalmente, o valor que cada conjunto de informações representa em cada círculo de poder se apoia nos valores éticos e morais de cada sociedade. Mas sendo a nossa sociedade dita capitalista, resume-se ao valor definido pelo mercado, junto com os títulos das dívidas públicas ou privadas e o próprio valor das privadas.
Acrescente-se duas camadas: hipervigilância das zilhões de câmeras espalhadas pelo planeta (registro em vídeo aumenta a confiança? Big brother?) e a crise generalizada das instituições (STF, governo, banco, ONU) e teremos uma interessante receita analítica sobre o equilíbrio da sociedade, das sociedades.
E onde estará a confiança? Aliás, o que significa mesmo confiança?
Terreno da psicologia e da filosofia, que gosto e respeito (e confio, acrescento), precisamos refletir sobre seu significado, usos e decorrências. Mas também terreno das relações sociais, onde representa fator fundamental de qualquer ótica de coesão. No estruturalismo será a cola estrutural propriamente dita, nas práticas sociais regula o padrão que delimita campos e suas entradas, nas ciências políticas talvez seja mesmo seu objeto fundamental. Mas e para o uso imediato, tipo minha atuação no processo de escolha eleitoral?
Acho que estou arranhando a resposta.....







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