qual o futuro de qualquer presente?
A procura ininterrupta para entender o caminho, sua direção e inevitabilidades é uma artimanha humana cheia de coisas boas e ruins. Observar e participar da humanidade nesse contexto me catapulta e paralisa.
Amadurecer, como todo fruto, está inserido num contexto orgânico, que passou pelo florescimento, polinização e preparação. Ciclos que podem ser longos. Frutos que podem ser fartos. E nós mexemos nisso. No ciclo todo, todinho. Será que dá pra ficar sustentável? Mudando a horta ou a rega? O que enfim pode ser sustentável?
O que essa questão tem de provocativa não me interessa aqui. Mas o processo que liga o pensamento conceitual, sua elaboração singular e sua inserção nos coletivos - via de mão dupla por excelência - me lembra uma teia de interrelações sem fim, e que por seus nós pode ser representado pelo equilíbrio dinâmico da sustentação de cada um deles. Sustentável dinamicamente, portanto. Não é sem fim, muito menos moto perpétuo mágico ou misterioso. Sustentável enquanto a teia segue firme, nós se renovam, nós nos renovamos.
À saída pela renovação sobra muita crítica, das fáceis às moralizantes desmoralizáveis, etc. Renovamos dentes, lentes, articulações. Só os ricos, talvez. Daqui a pouco dará pra fazer mais. Daqui a pouco não dá mais... Renovamos? Onde está o ponto?
...
Há coisas que ninguém fala pra você. Socialmente condicionado. Alguns falam coisas que não deveriam ser ditas, ou que poderiam bem ficar na gaveta. Onde se julga isso? Penso que esse julgamento reside exatamente nas singularidades dos pontos daquela rede que preparei como metáfora acima. Cada fala, cada afeto, cada ação ou atitude reflete em cada um dos nós, os endurecendo ou tornando-os mais flexíveis. Tudo na medida do orgânico em que a própria rede se fundamenta.
Sobra nesse caminho que escolhi o que vou chamar de transitar pelos nós. A sustentação dessa teia está exatamente na qualidade e variedade dos nós onde se liga. Todos nós. Intransitivo. Apresentar o futuro tal Cassandra envolve não só ter visto o futuro, mas falar dele. E a maturidade me faz cassandrear por aí, resultado das muitas tramas que a vida me deu - e de algumas decisões que me permiti. Uma delas é ver com alguma clareza algumas das alavancas que nos permitem pensar e agir pelo amanhã.
É preciso levar em consideração o contexto inegável da entropia: a energia do universo tende a se dispersar continuamente. E minha ação consciente procura foco e contexto: transitar pelas tramas da vida trocando afetos verdadeiros, buscando contribuir na construção singular e coletiva e alinhar os propósitos declarados às ações deliberadas. Isso inclui assumir alguns riscos de interpretação. Mas eu diria que nunca a ação ou desejo de enfraquecer os mais fracos, muito menos apoiar a chegada de novos poderosos por conluio ou interesse próprio, sejam eles da classe dos benefícios tangíveis ou não.
Transitar pelos nós também trata de revisitar, lubrificar, temperar e revenir o material dos quais são feitos, os nós - e nós.

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