Thursday, April 30, 2026

da sensibilidade social à flexibilidade das instituições

Os conceitos que utilizo aqui estão estabelecidos e dicionarizados, mas ainda assim reconheço que há disputa acerca de suas significações e usos. Podemos fazer um giro sobre nós mesmos e arriscar uma abordagem propriamente institucional sobre isso tudo, nos termos mesmo da linguagem, exatamente na flexibilidade que toda linguagem exige e permite. 


No encontro entre o singular/individual e o coletivo/institucional sempre haverá uma lacuna importante (e inegável geradora de riqueza): ali se aninham a criatividade, a busca pelo singular e sua afirmação, e até a regulação da entrada pessoal para cada coletividade considerada. Porém há brechas institucionais que permitem variadas formas de corrupção ideológica - sendo terreno próprio da ideologia da corrupção que parece permear toda a estrutura do modo capitalista de produção, onde toda a riqueza deve escoar sempre do coletivo ao individuo. 

Até aqui já podemos notar que a flexibilidade que me utilizo para construir a ideia geral provavelmente será (corretamente) criticada com relação ao seu rigor científico e metodológico. Naturalmente que, estivéssemos num artigo acadêmico, eu deveria definir meu uso de cada um dos termos centrais que escolhi. Entretanto entendo que tal rigor também atua na própria construção coletiva de flexibilidade - e seu corolário em forma de travamento, enrijecimento ou endurecimento (todos esses termos como oposição à flexibilidade).

Numa outra entrada possível, a pergunta "como se estabelece os parâmetros de flexibilidade nas relações institucionais de uma sociedade?" pode oferecer perspectivas interessantes nesse debate. Fundamentalmente trata-se de condições dinâmicas, até certo ponto fugazes, diretamente relacionadas com as estruturas de poder e de hierarquia e inexoravelmente decorrentes dos processos sócio-históricos que lhe deram azo. Isso estabelece um grau de complexidade que não só não cabe nesse pequeno artigo, como se dobra sobre si mesmo (novamente) Os processos que refiro também podem ser analisados sob a ótica da suas flexibilidades inerentes, que refletem até certo ponto a própria condição coletiva de flexibilidade de cada instituição social. O dito popular no Brasil "Manda quem pode, obedece que tem juízo" diz muito sobre a variação de flexibilidade na estrutura hierárquica. Igualmente também o celebrado jeitinho brasileiro, indicativo de uso de soluções que se utilizam da flexibilidade sistêmica. Ambos deixam rastros na própria construção de onde explorar a flexibilidade e onde definitivamente não (a isso chamamos também de assumir riscos, mas não pretendo aprofundar mais esse tema aqui).

Cada um de nós, através do processo de socialização - e também em sua genética e biologia, carrega um atributo próprio de flexibilidade, parte de forma consciente e parte inconsciente. A própria dinâmica de reprodução social e reprodução cultural carrega uma parte tão evidente da construção da flexibilidade que parece lhe conter toda. Mas evidentemente que não, posto que as mudanças existem e são possíveis, desde qualquer perspectiva reformista bem contida até toda e qualquer ideia revolucionária que possa existir. Talvez uma espécie de brecha entre àqueles conceitos (singular/individual e coletivo/institucional). Brecha no universo conceitual, pois na vida prática real isso não se delimita materialmente; talvez apenas processualmente.

Decorre então que cada um de nós vai aprendendo a flexibilidade das instituições ao longo de sua experiência da vida, formando e conformando possibilidades, e assim, afetando as instituições de forma dinâmica e variada. As fases da vida tem influência gigante no comportamento individual com relação a isto, bem como a teia de relações sociais e institucionais presentes e/ou percebidas. Aqui entra com força o que chamo de sensibilidade social e seu também corolário: a intolerância. 

Em nossos tempo de algoritmos e inteligência artificial a sensibilidade social, por exempolo no julgamento do que pode ser notícia e o que evidentemente é criação artificial, parece ao mesmo tempo mais frágil do que nunca e também mais plástico e moldável - exatamente sobrepondo o conceito de flexível que utilizo aqui. Decorre da física básica que o frágil não é flexível: frágil se quebra ao ser dobrado, flexível não. Por definição, frágil se relaciona à dureza: quanto mais duro, mais frágil. Onde e como estamos usando dureza e flexibilidade em nossas relações institucionais e individuais?

Como conclusão provisória desse espaço sugiro que estamos transferindo em larga medida as nossas flexibilidades individuais para as instituições, e recebendo delas a exigência de dureza na atuação social (e a consequente fragilidade decorrente). E dessa conclusão tiro ainda o que mais me dói na maturidade: ser duro nas relações imediatas acaba por ser confundido com crueldade e intolerância. E sabemos que as relações imediatas se constroem com flexibilidade e dureza conjugadas e arranjadas em seus padrões individuais e coletivos. 

Se fui duro contigo, espero sinceramente não ter ido pelo caminho da crueldade. Porém considere que, nos tempos que correm, as pessoas podem ter uma tendência maior a não dizer as durezas da vida para salvaguardar relações. Mas isso não agrega flexibilidade a elas - e nem às relações.

Friday, April 24, 2026

o orgânico, o humano e o sustentável

qual o futuro de qualquer presente?


A procura ininterrupta para entender o caminho, sua direção e inevitabilidades é uma artimanha humana cheia de coisas boas e ruins. Observar e participar da humanidade nesse contexto me catapulta e paralisa.

Primeiro porque, sendo humano, poderia então ter sido feito de outra forma. Assim como toda a humanidade, suas relações, gostos e... futuro. Depois, o abismo da singularidade me coloca frente a frente com a borda das demais singularidades, individualidades, coletividades e outras idades, em suas profundidades abissais misteriosas...

Amadurecer, como todo fruto, está inserido num contexto orgânico, que passou pelo florescimento, polinização e preparação. Ciclos que podem ser longos. Frutos que podem ser fartos. E nós mexemos nisso. No ciclo todo, todinho. Será que dá pra ficar sustentável? Mudando a horta ou a rega? O que enfim pode ser sustentável?

O que essa questão tem de provocativa não me interessa aqui. Mas o processo que liga o pensamento conceitual, sua elaboração singular e sua inserção nos coletivos - via de mão dupla por excelência - me lembra uma teia de interrelações sem fim, e que por seus nós pode ser representado pelo equilíbrio dinâmico da sustentação de cada um deles. Sustentável dinamicamente, portanto. Não é sem fim, muito menos moto perpétuo mágico ou misterioso. Sustentável enquanto a teia segue firme, nós se renovam, nós nos renovamos.

À saída pela renovação sobra muita crítica, das fáceis às moralizantes desmoralizáveis, etc. Renovamos dentes, lentes, articulações. Só os ricos, talvez. Daqui a pouco dará pra fazer mais. Daqui a pouco não dá mais... Renovamos? Onde está o ponto?

...

Há coisas que ninguém fala pra você. Socialmente condicionado. Alguns falam coisas que não deveriam ser ditas, ou que poderiam bem ficar na gaveta. Onde se julga isso? Penso que esse julgamento reside exatamente nas singularidades dos pontos daquela rede que preparei como metáfora acima. Cada fala, cada afeto, cada ação ou atitude reflete em cada um dos nós, os endurecendo ou tornando-os mais flexíveis. Tudo na medida do orgânico em que a própria rede se fundamenta. 

Sobra nesse caminho que escolhi o que vou chamar de transitar pelos nós. A sustentação dessa teia está exatamente na qualidade e variedade dos nós onde se liga. Todos nós. Intransitivo. Apresentar o futuro tal Cassandra envolve não só ter visto o futuro, mas falar dele. E a maturidade me faz cassandrear por aí, resultado das muitas tramas que a vida me deu - e de algumas decisões que me permiti. Uma delas é ver com alguma clareza algumas das alavancas que nos permitem pensar e agir pelo amanhã. 

É preciso levar em consideração o contexto inegável da entropia: a energia do universo tende a se dispersar continuamente. E minha ação consciente procura foco e contexto: transitar pelas tramas da vida trocando afetos verdadeiros, buscando contribuir na construção singular e coletiva e alinhar os propósitos declarados às ações deliberadas. Isso inclui assumir alguns riscos de interpretação. Mas eu diria que nunca a ação ou desejo de enfraquecer os mais fracos, muito menos apoiar a chegada de novos poderosos por conluio ou interesse próprio, sejam eles da classe dos benefícios tangíveis ou não.

Transitar pelos nós também trata de revisitar, lubrificar, temperar e revenir o material dos quais são feitos, os nós - e nós. 

Friday, April 17, 2026

Deus versus Gaia

Onipotência versus onibenevolência... Muitas discussões estão emaranhadas aqui, quase todas difíceis, fugazes, além de fronteiriças às condições mais profundas dos debates sobre a razão geral da existência ("porque há algo no lugar do nada?"). Largo e profundo, portanto...

Agora que perdi meu pai, ascender(1) ao seu lugar enquanto referência e ao mesmo tempo observar meus irmãos e irmãs percorrendo seus percursos singulares desvela uma forma de existencialismo tardio que me encanta e assusta simultaneamente. Não sei se estou a criar categoria desnecessária (ou já criada), mas falo da existência precedendo a essência a partir de camadas sucessivas de existências e essências que nos elaboram e liquefazem dentro do cotidiano. E que na maturidade busca novas proporções e alquimias para seguir se constituindo. 

Na maturidade desses tempos confusos, meu existencialismo barato diz que continuo elaborando minha essência a partir da minha existência, porém o psicologismo ainda mais barato assegura que quem sou está igualmente ancorado em quem fui até agora. Nada demais até aqui, além do meu pouco compromisso com o arcabouço conceitual que me dei o direito de baratear.


Ainda não deu tempo de sentir saudades de meu pai, confissão que pode parecer demasiado dura. Mas o medo da morte tangibilizado por seu corpo inerte e sepultado segue me empurrando para uma ação heróica(2) que já não cabe mais em meus horizontes como cabia antes. A ação é a de todo dia - aliás, como sempre foi. Mas meu horizonte mudou - mais uma vez. Além disso o envelhecimento é inexorável e implacável: sinto todo dia uma retirada de energia vital maior do que consigo repor...

Já de minha mãe, Gaia revisitada, sinto imensas saudades. Ainda como confissão: seriam saudades que transcendem em muito a existência singular daquela que me deu à luz. O tipo de saudade de simplesmente saber que aquela pessoa estaria ali, existindo, ainda que acolhimento e ninho para meu próprio crescimento eu não carregue aqui dentro de mim como recordação daquela criatura. Condições da existência social...

E isso tudo não exclui de forma alguma a existência como elaboradora da essência (pelo menos até algumas camadas razoavelmente profundas). Daí que minha existência sempre foi marcada pela observação do gigantesco contraste entre minha mãe e meu pai. Também penso que nada de novo há aqui, senão as peculiaridades do ambiente social produzido pelas decorrências do encontro improvável daqueles dois, e a consequente procriação farta deles.

Escolho então uma perspectiva quase fenomenológica que permita encontrar-me como criança novamente frente ao contraste que aqui usei como título. Um poder que se pretende inquestionável encontrando um amor que se oferece como condição de existência do conjunto. Se Sartre dizia que "o inferno são os outros" Gaia diria que "os outros são a sua condição de existência". Mas... e o inferno, onde é que fica? Creio que pressinto com alguma exatidão onde cada um deles colocava essa resposta. E é quase certo que não era um lugar comum, apesar de ambos escolherem como resposta algum tipo de "lugar comum": o inferno da insuficiência material que a todos nos aflige, versus o inferno do mal absoluto, representado pela ação cruel, pela desatenção seletiva e o risco do desamor. Minha observação conduz inexoravelmente ao conflito valores espirituais x valores do capitalismo, do qual não proponho fuga. Tampouco compreender intelectualmente esse conflito resolve a questão, em qualquer linha de pensamento que eu tenha conhecimento.

Mas se Gaia traz um conforto biológico que o existencialismo de Sartre contorna (a sensação de que pertencemos a algo maior, não por decreto divino, mas por destino biológico), essa condição atravessa e transcende a minha existência singular. E encontro nas minhas relações mais imediatas as novas condições de existência onde sigo produzindo minha essência. Meus irmãos e irmãs, minhas companheiras (atual e passadas), meus amigos e desafetos muito me dizem sobre isso tudo - e sobre mim.

Numa revisitação arqueológica nem tão cuidadosa assim, contemplo mais uma vez a relação de meu pai e minha mãe, segundo as narrativas que me sobraram. Atração e repulsa, yin e yang, poder e amor que poderiam ter se complementado de forma menos turbulenta do que penso que foi. Mas foi o que pôde ser: a existência se fez enquanto a essência escorria no caudal do dia a dia, irrigando e alimentando novas singularidades de forma coletiva, coletivizado até certo ponto. Ou multi individualizado, conforme a escolha de perspectiva. Será que haveria algum caminho diferente para a relação de meu pai com minha mãe?
Agora que ambos se foram a pergunta é totalmente retórica, sabemos. Ao mesmo tempo penso ser base de um importante exercício de aprendizagem. Singular, individual e coletivo, tudo ao mesmo tempo, como convém à interface entre Deus e Gaia

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1. ou ressignificar, ou transcender, ou relativizar, ou simplesmente tomar ciência de que não teremos mais a oportunidade presencial de travar as batalhas pai-filho que nos construiu enquanto existiu

2. ação heróica pelo viés de Ernest Becker em seu Negação da morte (1972)

Saturday, April 11, 2026

A construção coletiva das memórias (ou: quanto tempo leva pra construir um "velho amigo"?)


Old Friends

cantado por Simon and Garfunkel


Old Friends, Old Friends

Sat on their park bench

Like bookends.

A newspaper blow through the grass

Falls on the round toes on the high shoes

Of the Old Friends.


Old Friends

Winter companions,

The old men

Lost in their overcoats,

Waiting for the sun.

The sounds of the city,

Sifting through trees

Settle like dust

On the shoulders

Of the Old Friends.


Can you imagine us

Years from today,

Sharing a park bench quietly?

How terribly strange

To be seventy.

Old friends

Memory brushes the same years

Silently sharing the same fears


Time it was and what a time it was.

It was a time of innocence,

A time of confidences.

Long ago it must be,

I have a photograph,

Preserve your memories,

They're all that's left you.

(tradução lá no final)

O ser humano imagina, e a imaginação pode ser vista como uma espécie de elo que liga o passado ao futuro. Acontece que o futuro não é mais como antigamente*, e parcelas cada vez maiores da população chega a idades avançadas - e com boa memória, previsivelmente.

Cada um (seja indivíduo ou singularidade) vai construindo suas memórias no ambiente social que compartilha, nas famílias e nas aldeias que cresceram absurdamente desde que a luz elétrica se espalhou pelo planeta. Como resultado a construção de memórias vai percorrendo processos que, se não são exatamente inovadores, certamente inclui aspectos inéditos na história humana. Mais camadas, em ritmos cada vez mais acelerados, com assuntos cada vez mais abrangentes e potencialmente mais profundos.

Se imaginarmos essas camadas como estratos compartilhados de memória pelos acontecimentos (locais, regionais ou globais), poderemos ter uma visão de memórias compartilhadas de eventos. E em cada um de nós, levando em consideração ou não o livre arbítrio, nossas memórias estão repletas dos afetos que formaram a parte de nossa história singular, por todo o espectro consciente, sub consciente e inconsciente. 

Os afetos e a história individual do aprendizado sobre eles são elementos fundamentais de nossa singularidade. Daí que os amigos de longa data ("old friends") são testemunhas e referências daquelas camadas que nos fazem ser quem somos, em qualidade, quantidade, profundidade e relevância das memórias compartilhadas.

Duas músicas marcaram minha adolescência no quesito "como serei eu ao ficar velho?": Beatles com When I'm sixty four que me colocava a imaginar minha vida aos 64 anos de idade, (também impulsionada pelo meu ano de nascimento 1964),  e àquela Old friends cantada por Simon and Garfunkel. Em algum momento me dei conta que era preciso definir a diferença entre colega e amigo; e mais ainda: identificar aquelas pessoas que considerava aqui dentro de mim como amigo.

Reconheço que muita coisa mudou daqueles anos 1970/80 pra cá - inclusive eu. Mas me reconheço e me encontro comigo mesmo como partícipe e cocriador desse processo todo, e procuro então os meus velhos amigos - que também mudaram. Ou morreram...

Agora, às raias do tal sixty four, procuro e revejo na minha história quem são meus velhos amigos. E os meus processos de construção disso tudo, incluindo a descontrução de boa parte de alguns desses vínculos. Histórias quase sempre interessantes e também doídas, junto com aqueles que ficaram pelo caminho (Marília, Cláudio, Eduardo, Cunha, Matheus, Osvaldo... saudades e mistérios). Outros foram levados pelos abjetos bolsonaros, trumps & venturas da vida, ó horror. 

Portanto penso que se aproxima a hora de uma revisão afetiva e conceitual importante, cujo resultado talvez contenha o renovado processo auto reflexivo sobre para que estamos nesse mundo? E independente das possíveis respostas, a amizade e o processo dos velhos amigos são não só inescapáveis, como fundamentais no desenrolar da existência de cada um de nós.

Para uma conclusão (mesmo que temporária), resta aquele aspecto que é bom sempre deixarmos reservado, que é a possibilidade de eu considerar alguém um velho amigo e não ser por ele considerado da mesma forma - e vice versa, claro. 

Aos jovens então ofereço com carinho alguns conselhos contidos em Old friends: construa e preserve suas memórias desde sempre: elas serão o que vão restar a vocês. Aos demais, aproveito o clima dos Beatles e pergunto: temos frequentado algum banco de praça pra partilhar nossas lembranças com nossos velhos amigos?

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sobre a origem dessa ideia, Gemini disse: "essa frase é quase centenária e sua autoria original é amplamente atribuída ao poeta e filósofo francês Paul Valéry. Ele escreveu originalmente "Le problème de notre temps est que le futur n’est plus ce qu'il était" (O problema do nosso tempo é que o futuro não é mais o que costumava ser) por volta de 1937

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Velhos amigos


Velhos Amigos

Sentados em seu banco no parque

Como suportes de livros

Um jornal voando na grama

Cai nos cantos redondos dos sapatos

Dos velhos amigos


Velhos amigos

Companheiros de inverno

Os velhos

Perdidos em seus sobretudos

Esperando o sol

Os sons da cidade

Peneirado pelas árvores

Assentando como poeira

Nos ombros

Dos velhos amigos


Você pode nos imaginar

Anos à frente

Compartilhando um banco de jardim em silêncio?

Como é terrivelmente estranho

Ter setenta anos

Velhos amigos

A memória recupera os mesmos anos

compartilhando silenciosamente os mesmos medos


Tempo que se foi, e que tempo que se foi

um tempo de inocência

Um tempo de confidências

E por muito que esteja longe

Eu tenho uma fotografia

Preserve suas memórias

Eles são tudo o que resta pra você