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Monday, June 7, 2021

argumentação e decisão: o pensamento indutivo, o dedutivo e o intuitivo

 Aproveitando a onda de verdades e fake news, que vou simplificar no escorregadio "pós-verdade", um assunto me chamou a atenção:

O caso se deu numa conversa sobre vida extraterrestre e os possíveis contatos em talvez iminência....

O caso em si é valioso e merece aprofundamento, mas o que vou propor tem mais a ver com o título: metodologicamente podemos olhar métodos de estudo da realidade "convencionais" em indutivo e dedutivo. Uma parte do pensamento ocorre sem se enquadrar nesta classificação acadêmica. Já o qe sobressai desta possível classificação envolve muitos aspetos (e disputas) sobre uma fonte de conhecimento sobre a realidade (ou a verdade, mas prefiro fugir neste momento do debate do que é a verdade).

Estou chamando este conjunto de "ferramentas investigativas do domínio da realidade" que se localizam fora do pensamento dedutivo e/ou indutivo, de pensamento intuitivo. O melhor exemplo que penso se encaixa aqui foi uma amiga recente, que em conversa  comigo perguntou-me onde ficava o meu "orgão de percepção da verdade" 

Visando chegar na construção social disso aí, me parece perfeitamente válido a alegação do pensamento intuitivo em várias fases de investigação, de áreas também diversas. Me parece que na sociologia contemporânea, a reflexividade (e seus reflexos) ladeia com movimentos ligados à espiritualidade (a qualidade holística, por exemplo), à religião (muitas delas, senão todas), todo o vasto campo do interacionismo simbólico, e, claro, questões ligadas à infraestrutura e a super estrutura. 

A liberdade individual para pensar, elaborar, argumentar e acreditar ou não que faremos contato, que viemos de extraterrestres, que sejamos extraterrestres nós mesmo, ou qualquer derivação ou combinação com a dita espiritualidade reabre (ou mantém sob controle?) a deliberação pessoal racional acerca das próprias crenças. Entretanto o caminho argumentativo para suportar uma posição social que envolve escolha é reflexivo por definição, e além disso,  as escolhas e o processo deliberatório estão bastante sobrepostos na fronteira de estudos que envolve a psicologia, a psicologia social, alguma parte à psiquiatria, e a outros desvios psicopáticos relacionados ao poder, dentro e/ou fora do sistema capitalista de produção). 


TALVEZ ISTO SEJA DOMÍNIO DA PSICOLOGIA SOCIAL? 

Friday, February 9, 2018

Desserviço

Assisto estarrecido o desenrolar de coisas que, para mim, estão razoavelmente evidentes - para quem deseja enxergar além da uma superfície bastante fina (apesar de uma qualidade desta superfície seja justamente se assemelhar ao "espelho" que a superfície da água apresenta, e que desafia olhar além para o outro lado desta mesma superfície....)
...
Não gosto do conceito "valor agregado" pelo uso que o desgastou, pelo fato de demandar a definição de valor, e ainda pelo risco de uma interpretação corporativa, onde o termo se alastrou de forma insidiosa e atua de uma forma bastante doutrinária e míope, como se todas as atividades tivessem que agregar valor sempre, e, portanto, atividades como fazer coco seriam não agregadoras de valor...
Mesmo correndo estes riscos todos, vou usar o tal "agregar valor" numa tentativa de redução ao que podemos pensar em (re)construir da nossa sociedade: um valor que possa ser reconhecido honestamente por qualquer um como humano e relevante; e agregar como uma opção consciente de trazer à discussão alguma proposta ou argumento que foque no construir, em oposição ao destruir.
...
Depois desta introdução grande, o tema que me traz se baseia na saída da filósofa Márcia Tiburi de um programa de rádio, como reação à chegada de Kim Kataguri no estúdio (links no final do post).
Resuminho: em estúdio, a filósofa e autora de alguns livros vê a entrada - sem ser avisada previamente - deste rapaz líder do movimento MBL, e ato contínuo, imediatamente se retira avisando que não compartilharia a mesa com ele. O "mediador" se desculpa em seguida, comentando que poderia ter avisado, e o programa segue (confesso que só vi este vídeo abaixo e portanto, somente o pedacinho que contém o evento narrado).
...
Teríamos um montão de pontos pra desenvolver, mas vou ficar somente nos comentários, vociferações e comemorações que fervilham na rede sobre o fato de o livro mais conhecido da filósofa ter o título "Como conversar com um fascista" e a alegada contradição por ela se retirar, ao invés justamente de enfrentar e aproveitar a situação e por em prática suas idéias.
Não conheço a filósofa por mais do que uma rápida leitura justamente deste livro, que não me chamou especialmente a atenção pelo conteúdo, mas pela exposição do crescimento da "energia fascista" no mundo, no Brasil e entre jovens.

Um Bruno Marques (que confesso não conheço) publicou um extenso e bem articulado post no facebook recheado de citações filosóficas onde desconstrói a posição e a decisão dela de não seguir com um "debate" não previsto. Achei razoável a defesa dele, mas o ataque à índole da filósofa (e a escolha de exemplos óbvios) que evidencia sua posição política acende um alerta de posicionamento claramente... fascista!
E aqui está o cerne do desserviço do título, que tem pessoas como o Bruno (que tem argumentação sólida) e se espalha para pessoas (alguns meus amigos) com comemorações e execrações da filósofa baseados numa clara patrulha ideológica, que não respeita sua liberdade de escolher fazer o que bem entender, no caso a saída de uma condição que a ofendia, e da qual eu reconheço que tem este direito inalienável. Acrescento que pessoalmente também me frustrei, pois gostaria de ver este debate, mas isso não pode me levar a comentários desonrosos desta escolha, que por outro lado entendo também.

Para encerrar, o que mais me dói mesmo é ver amigos (amigos?) compartilhando e elevando o tom por uma postura fascista: isso realmente me preocupa muito neste momento de divisão visceral de nosso país.
Aqui vou simplificar com o tal paradoxo do Karl Popper (recomendo que encaminhem ao Bruno)

Da Wikipedia:
O filósofo Karl Popper definiu o paradoxo da tolerância em 1945 no volume 1 do livro The Open Society and Its Enemies:[1]
"Menos conhecido é o paradoxo da tolerância: tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos tolerância ilimitada até mesmo para aqueles que são intolerantes, se não estivermos preparados para defender a sociedade tolerante contra a investida dos intolerantes, então os tolerantes serão destruídos, e a tolerância junto destes."
E pedir pra cada um dos que vociferam e comemoram (a favor ou contra o Sergio Moro), que parem e reflitam se suas atitudes estão contribuindo para construir ou para destruir em seu pequeno círculo de influência que angariamos no mundo.
E por fim, relendo o próprio Bruno, com cuidado e cautela, "Como você escolhe suas referências?"

video do fato:
https://www.youtube.com/watch?v=Wm4DSVVuJLE
Post do crítico embasado filosoficamente:
https://www.facebook.com/bruno.marques.585?hc_ref=ARQNz1rlbsV5IcUgpfK_XMfopj5cpLqIaq6-p59isg49oVT-mNSKHE-eRP3eBhxra3g&fref=nf&pnref=story

Sunday, February 4, 2018

Partindo a Escola

Observando mensagens digitais sobre o papel da escola, me dei conta de como estamos ainda muito heterogêneos e primários num debate desta magnitude. Muitas portas (boas) de entrada, como p. ex., que escola queremos, qual deve o papel do professor nas diferentes faixas etárias, qual remuneração (e qual sistema de incentivo) deve ser considerado para os professores, etc, e nós, docilmente conduzidos pela agenda midiática, ficamos vociferando lados e amedrontando (ainda mais) uma classe profissional que tem um papel altamente relevante e desafiador na construção do futuro.

A introdução já ficou mais longa do que eu gostaria, então vou inaugurar um "label" (Valeriana) para este tema e pretendo criar posts curtos, como possíveis respostas para mensagens que recebo sobre o assunto, tanto de pessoas que tem uma posição aparentemente alinhada com a minha, como de pessoas que eu tenho afetividade, e defendem posição diametralmente oposta...

E você, o que tem pensado sobre o assunto?
E mais ainda, como tem influenciado seu entorno sobre este assunto: tentando impor sua visão, perguntando as razões do outro, chamando pro debate ou simplesmente vociferando?

em tempo, do Aurélio Sec XXI:
Vociferar: [Do lat. vociferare.]
V. t. d.
 1. Proferir em voz alta ou clamorosa; clamar, bradar, exclamar: &  & 
V. t. i.
 2. Dizer coisas desagradáveis; dirigir censuras ou reclamações: & 
V. int.
 3. Falar colericamente: & 
 4. Berrar, bramir.

PS: post de abertura dedicado ao debate corrente (atrasado, né?) sobre o projeto "escola sem partido", em "desenrolamento" cruel pelas redes sociais

PS2: link de entrevista do prof Clovis de Barros Filho sobre o assunto (23 min)
https://www.youtube.com/watch?v=aXdNmE5Zoqw

Re Partida

Depois de despedir, retornar parece uma aventura anacrônica... Mas necessária e desejada há algum tempo.
...
Como foco e novo desafio: a observação de uma nação partida ao meio, e a avaliação de que muito disso decorre de uma atuação deliberada de grande parte da mídia, atendendo a interesses específicos.
Uma curta sentença como esta, no cenário atual, acredito que já será suficiente para provocar reações exacerbadas em muita gente que considero importante na minha formação e referência sobre os aspectos mais amplos do mundo...

Assim, este exemplo consolida o propósito de buscar um caminho de diálogo, esclarecimento mútuo e troca / compartilhamento afetivo / cognitivo com quem está por perto, mas que ficou longe (aqueles que acabamos bloqueando no face book, por exemplo), e de quem divergimos em coisas que podem ser conversadas, mas que ficaram "encapsuladas" na agenda corriqueira daquela condição "pró" x "contra", como se a vida fosse simplificável desta maneira, e por conseguinte, que os possíveis caminhos para os graves problemas que afinal concordamos podem ser achados num sistema sim/não, concordo/discordo, certo/errado, prende/não prende que por fim nada contribui na construção de um caminho possível, seja na minha utopia, seja na tua ou daquele nosso quase ex-amigo que agora está muito mais afastado do que já esteve....