Friday, September 18, 2026

O foco, o contexto e o singular

 Para qualquer lugar que eu olhe eu vejo mundo... E ao mesmo tempo me vejo.

Me vejo vendo o mundo e o mundo olhando pra mim. Vejo o mundo e espero que o mundo me veja. Mas só às vezes. Em outras espero que o mundo não me veja. E o difícil mesmo é decidir sobre isso... Mas também só às vezes...

No difícil (e longo) processo de me tornar um indivíduo, eu vejo você. Que me alerta para a singularidade ser mais importante do que a individualidade. Semântica, talvez? (por que tudo junto se escreve separado e separado se escreve tudo junto?)

Indivíduo, ainda que fragmentário, quebradiço e espinhoso. Singular, certamente. Mas indivíduo em alguns dos espelhos que me olho. Romper e rejuntar, tarefa do indivíduo em construção )?( 

Singular sim, sempre. Afinal talvez se trate somente de uma manobra discursiva. Afinal singular não deixa brecha pra interpretar. Ou deixa? Já indivíduo me permite redividir e rejuntar, me sentir sem fissuras. Mas só depois de quebrar...

O exercício do foco e do contexto talvez tenha nome, sei não. Análise, interpretação, atenção concentrada, reflexividade, alteridade... Sabendo como o olho funciona fica até interessante pensar nisso: o olho só foca um quadradinho pequenininho, todo o resto é desfocado. Contexto, portanto.

Portanto quando eu foco pego um fragmento: do fato, da luz, do momento, da vida. Sempre somente da minha perspectiva. Mas o contexto, ah, o contexto.... Esse permite viajar em cinco dimensões, fácil, fácil

A transição do foco ao contexto é que contém a vida mental, assim me parece. E cada vez que tento retornar ao foco, muda o contexto. Ou não. Ou serei eu que não percebo? Ou tal Heráclito o rio mudou, mudei eu também 

Sou o que sou. Sou foco e contexto. Sou o que fui e o que serei. Sou o que você permite que eu seja, nesse contexto. Mas sou além, sou foco. Meu e de outrem


foco no fato
fogo fátuo
pego um pego
pego um fato
de fato um pego
um pego fátuo


pego macho


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