Tenho me dedicado ao estudo do que se chama "controle social". Área ampla e de intensa disputa, cuja primeira impressão parece confrontar a criminologia e o marxismo, via materialismo histórico. Enfrentar o conceito que pode se chamar de liberdade individual dentro dessas perspectivas tem sido um campo de desafios e prazeres da descoberta, e ainda base para acalorados debates sobre a grande merda em que estamos metidos na sociedade globalizada contemporânea...
Mídias sociais, cambridge analytica e facebook, trump e musk, a reza ao pneu e os bonés bordados, e demais exemplos contemporâneos dos mecanismos de controle social são importantes referências na busca, mas não esgotam, por definição e excelência. Resta ao menos um espaço, tipo uma brecha, onde as consciências das individualidades singulares como que se debatem com as energias das coletividades, produzindo um estado de meta-equilíbrio (meta? epa!). Estado esse que responde pelo momento presente e seus todos riscos de qualquer possível futuro, coletivo e individual, pois...
Entre o "preciso me manifestar" e o "não posso me manifestar" florescem tipos de microorganismos, fungos, vírus, bactérias, numa espécie de flora meta-intestinal (epa!!), campo de batalha pela melhor digestão possível da(s) realidade(s) circundantes, e que, em última instância, concorre para as decisões do dia a dia daquelas mesmas singularidades, sejam conscientes ou não.
O desafio, por um lado, é compreender que a idiotia existe e precisa ser considerada nesse estudo. Portanto, com gente que reza no quartel, que está convencida de que a terra é plana e que tem chip na vacina, recomendo Paulo Freire, paciência e meditação. Por outro lado, buscar soluções sociais (ou ferramentas, ou mecanismos de explicação, etc) desconsiderando as individualidades singulares que se engajam na disputa, como por exemplo, por uma educação sem ideologia (ou sem religião), parece igualmente nos aproximar da idiotia, agora pelo lado do dogmatismo. (Esse artigo não vai servir para aprofundar esses conceitos, de idiotia e dogmatismo; então fica abaixo o que o chatgpt define....)
Freud oferece bons insights sobre o lado da individualidade (especialmente nas obras O futuro de uma ilusão e Mal estar na cultura, ambas obras curtas e de leitura razoavelmente fácil). Ressalto dali a definição clara de que todos nós temos uma forma de ódio contra o coletivo, que afinal representa tudo que nos é interditado. Norbert Elias oferece uma visão do processo da civilização, que vai nos enfiando goela abaixo as interdições e demais comportamentos que nos mantém em nossos papéis sociais. Marcuse explora e explica em boa medida onde e como os prazeres mais fundamentais (do Freud) são utilizados pelas ideologias dominantes (do Marx) como ferramentas de manutenção da dominação social. Essas ideias, até aqui, me parecem claras e sem disputa.
Daí a tentar explicar parte da massa europeia (todos com pelo menos12 anos de escola e literacia básica, além do bem estar social do séc XXI), com seus discursos de ódio, negacionismo quanto à covid-19 e apoio à idiotia assumida de André Ventura e similares que-tais, me provoca a buscar onde é que inteligência se meteu? Teria sido naquela brecha que menciono acima?
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do gpt:
Por favor defina idiotia:
""Idiotia" é um termo que pode ter diferentes significados dependendo do contexto:
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No sentido coloquial – Refere-se à falta de inteligência, discernimento ou bom senso. Pode ser sinônimo de tolice ou estupidez.
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No sentido médico (arcaico) – Antigamente, "idiotia" era um termo usado para descrever uma deficiência intelectual severa, mas esse uso está obsoleto e foi substituído por classificações médicas mais adequadas.
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No sentido filosófico e histórico – Em sua origem na Grécia Antiga, "idiotes" era um termo para cidadãos que não participavam da vida pública e política, sendo usados para designar indivíduos focados apenas em interesses privados.
O contexto define se a palavra tem um uso mais pejorativo ou técnico."
Por favor defina dogmatismo:
"Dogmatismo é a atitude ou posição que considera certas ideias, princípios ou crenças como verdades absolutas, inquestionáveis e imutáveis, sem permitir espaço para dúvidas, críticas ou revisões.
O termo pode ser usado em diferentes contextos:
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Filosofia – Refere-se à corrente de pensamento que aceita a possibilidade do conhecimento absoluto, em oposição ao ceticismo, que questiona a certeza do conhecimento.
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Religião – Representa a adesão rígida a doutrinas e princípios considerados sagrados e inquestionáveis.
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Ciência e Política – Pode indicar uma postura inflexível, onde uma teoria ou ideologia é aceita sem considerar novas evidências ou argumentos contrários.
No geral, o dogmatismo é frequentemente visto como uma barreira ao pensamento crítico e ao progresso do conhecimento."
